Layoff: a palavra que vem assombrando corredores de empresas e chats de LinkedIn. Layoff é a demissão em massa, aquele famoso corte de pessoal que acontece em empresas, especialmente no mundo da tecnologia. É aquele momento em que a pessoa recebe um convite nada agradável para uma reunião com o RH, e já sabe que a coisa não é boa.
Mas calma, que o desespero não vai ser seu aliado nessa. Nesse artigo você vai entender um pouco mais sobre esse assunto e, quem sabe, até evitar que isso aconteça com você. Então, se prepara, porque vamos falar sobre as causas do Layoff e como se prevenir. É hora de colocar o medo de lado e se preparar para o que vem pela frente!
Quem se interessa por esse conteúdo
Gestores
Para contextualizar os pedidos da diretoria por “corte de gastos” e ser capaz de dar um feedback mais assertivo para quem vai embora
Profissionais com FOMO
Para internalizar que não é sua culpa um cenário global de falta de responsabilidade e juros altos
Profissionais de tecnologia
Entender que os layoffs no meio tech vão influenciar a balança de mercado de forma negativa é importante para as melhores decisões de carreira
Como ler esse conteúdo
O conteúdo começa separando o layoff em startup dos layoffs das Big Tech (Meta, Microsoft, Google, Amazon…). Isso já dá um norte caso você se enquadre em uma indústria ou em outra.
Depois falamos de algumas estratégias com relação aos Layoffs, desde como se prevenir até o que fazer caso receba a má notícia. Por fim, contextualizamos que o Layoff é uma má gestão e um reflexo disso, e não do seu trabalho. Sintam-se abraçados!
O que é um Layoff
Os Layoffs fazem parte da rotina de qualquer pessoa que esteja nas redes sociais hoje. Seja acompanhando os posts desolados de quem foi dispensado ou acompanhando os CEO influenciadores que os deixam acontecer. Em ambos os casos, passa um frio na espinha e um suor frio nas costas: posso ser o próximo?
O layoff é um termo para se referir aos desligamentos em massa que acometem, sobretudo, as Big Techs e startups de modelo unicórnio que se multiplicaram nos últimos anos. Com seu crescimento desde 2010 e crise com a pandemia de covid, as companhias se viram em um cenário delicado e recorreram a esse mecanismo – mas não precisavam.
Porque uma empresa faz um layoff?
A resposta padrão seria “por desorganização financeira”. Se avaliar qualquer uma das desculpas dadas ao mercado, conseguirá perceber que a raiz delas é essa. Porém, essa desorganização financeira tem origens distintas dependendo do estilo de administração e do modelo adotado pelas empresas, além de seu porte e impacto.
Vamos avaliar cada um deles – isso será necessário para você conseguir avaliar os movimentos da companhia onde você estiver e o que procurar ao procurar por sinais de um layoff.
Layoffs em startups
Startups e empresas de venture capital – empresas que estão mirando em crescer patrimônio de modo a tornar seus investidores de risco ainda mais ricos – possuem motivos particulares para executarem layoffs. Eles estão mais voltados ao cenário global de alta de juros e distanciamento de riscos. É algo como o que houve com a Me Poupe, de Nathalia Arcuri.
Investimento de risco
Empresas de modelo Startup são normalmente financiadas e crescem com base em Venture Capital. Essa forma de investimento agrupa investidores com grande capital que fazem aportes em momentos iniciais de empresas para aumentar seu capital e facilitar seu crescimento.
O risco que os investidores correm é o risco de a empresa quebrar, não dar resultados e os bens usados para liquidar o capital. Já o retorno esperado precisa ser grande o suficiente para compensar essa lógica.
Retorno do investimento
A ideia é “carregar” a empresa até o momento do IPO e lucrar com a venda de ações ou com a distribuição de lucros. Esse retorno, somado aos dividendos que a companhia possa eventualmente distribuir na forma de lucro para os acionistas, se consolida como o resultado do investimento para os investidores de venture capital.
Cenário macroeconômico
O problema com o raciocínio é o acúmulo de bens que justifique o capital dessas empresas. Muitas das startups cresceram não com a aquisição de escritórios (imóveis), equipamento ou o desenvolvimento de patentes, mas com uma prestação de serviços que agregava pouco capital à empresa. O aporte era revertido em contratações e salários competitivos na área de tecnologia (o que levou à bolha tech).
O que os investidores viram foi um movimento similar ao das Big Techs, como Google e Microsoft, sem o acúmulo de capital, e começaram a se preocupar. Com a crise da pandemia e o aumento da taxa básica de juros, a justificativa por um investimento arriscado como esse se torna cada vez mais difícil.
Veja que o investimento em Small Caps nos últimos 12 meses foi desvantajoso, enquanto investimentos com garantia do Banco Central (FGC) tiveram ganhos muito superiores. É a partir disso que o crescimento de startups se vê ameaçado, e a ponta mais frágil – os profissionais – se rompe.

Sem bens para serem liquidados e com a saída de investidores buscando novos locais onde aportar o capital, é necessário cortar em uma ponta para gerar lucro suficiente para comprar a participação dos acionistas ou despachá-los com o capital inicial. E é aqui que os layoffs entram – para a tristeza de quem foi contratado com a promessa de crescimento acelerado.
Layoffs nas Big Tech
Funcionando no mesmo cenário, mas com raízes profundamente diferentes, os layoffs promovidos em empresas consideradas Big Tech (Amazon, Google, Microsoft, Meta) foram motivados por fundamentos distintos. E vamos explorar cada um deles abaixo.
Mesmo cenário macroeconômico
O cenário macroeconômico é similar – com um aumento das taxas de juros nos EUA, onde a maioria das empresas está sediada, o investimento em risco tornaram-se mais distantes. Nas Big Techs, isso significa haver mais interesse em aplicar valores para gerar retorno financeiro e buscar maximizar os lucros, que vinham caindo nos últimos trimestres desde o fim da pandemia.
Acontece que mesmo a pandemia de covid-19 dimensionou mal o crescimento das empresas do campo e levou a um movimento de aceleração descontrolada. O ganho de capital que essas companhias tiveram na bolsa pode ser bem explicado pelo fatídico mês em que a Zoom valeu mais do que a Exxon Mobil nos EUA. Uma total falta de proporção que voltou como layoffs.
Mudança de liderança e fase de empresas
Além disso, as companhias desse grupo também mudaram suas lideranças, com a exceção da Meta, entrando em uma fase de preservação, crescimento sustentável e retorno de lucros. As mentes visionárias, como Larry Paige e Sergey Brin (Google) e Bill Gates (Microsoft) deixaram a liderança adiante. Steve Jobs, já falecido, já tinha na Apple esse movimento. Zuckerberg é o único do grupo de líderes que segue a frente das suas empresas.
Essa mudança de liderança marca também uma mudança de fase de empresas. No tempo dos visionários que as fundaram se estabeleceram as medidas que conhecemos: participação nas empresas, foco no crescimento, benefícios como mesas de pingue-pongue, geladeiras de cerveja e pizza constante.
Aumento da competição
Por fim, essa mudança encontrou outro crescimento durante a pandemia: uma nova geração de devs. Esse grupo veio crescendo aos poucos, incentivados por discursos de salários altos no começo da carreira, trabalho assim que terminassem cursos de seis semanas e a não necessidade de diplomas.
Não foi esse grupo que engrossou as fileiras, mas eles criaram um exército de reserva que repercutiu negativamente no universo de trabalho. Eles facilitaram encontrar profissionais de mesma competência por salários mais baixos. E com esse aumento de competição por salários, não faz sentido manter funcionários de alto valor, podendo-se diminuir pouco em entrega, mas muito em custo.
Como se prevenir de um Layoff?
Essa é a pergunta de um milhão que não tem uma resposta fácil: não é possível de se prevenir de um layoff. E as causas para isso são estruturais, e não pessoais. Vamos por partes.
Como abordamos, um layoff é causado por necessidade de justificar os investimentos em empresas. Seja aumentando a fatia de lucro dos acionistas, seja tornando a companhia mais rentável. A ponta frágil das empresas Tech é sempre o profissional, que por diversos motivos está na berlinda.
Aqui vale a pena pensar estrategicamente. O desenvolvedor que possui altos salários ou benefícios deve olhar para os lados e ver quão similar aos seus pares estão suas habilidades. As métricas de sprints devem ajudar nesse ponto. Caso você seja sênior ou pleno, as chances aumentam para quem tiver rendimentos aquém.
Áreas periféricas do desenvolvimento, como design e pesquisa, também tendem a sofrer mais e estar mais inclinados ao layoff. Quem se garante mais no meio tech são os profissionais juniores, cujas habilidades serão cobradas ao nível pleno, mas ainda devem ser os últimos a serem cortados pela lógica econômica: menores salários, igual à menor impacto.
Como partir para a próxima oportunidade após um Layoff?
Os layoffs são um risco corrente em qualquer indústria, sobretudo na tech. Nesse contexto, algumas dicas cabem para se manter preparado em caso de um, na sua empresa:
1. Mantenha seu portfólio atualizado
Trabalhar um bom portfólio, interessante para contratantes ou eventuais clientes do modelo freelancer vai te garantir uma realocação mais rápida no mercado de trabalho. Em seu livro “Seja Egoísta com sua Carreira”, Luciano Santos aborda esse e outros pontos. O foco aqui é esticar as pernas de vez em quando e testar a sua “empregabilidade”.
2. Cuide da sua saúde mental
Não é um momento fácil para ninguém. A culpa vem, assim como a indignação – o primeiro é inútil, pois como veremos a seguir, a culpa deveria ser do empregador, enquanto a indignação ainda pode te servir para dar aquele gás pouco saudável, mas útil. Esse cuidado pode ser tirando um dia off, acrescentando exercícios na sua rotina ou usando parte da reserva de emergência para um atendimento terapêutico.
3. Tenha a reserva de emergência à mão
Aproveite sempre o período das vacas gordas e guarde. Tente viver com menos do que se recebe. Sei que parece conselho de coach financeiro alienado da realidade do brasileiro, mas você vai me agradecer se der preferência a um passeio no parque a uma ida ao restaurante. O dinheiro guarde em algum lugar com boa rentabilidade.
4. Metrifique seu desempenho
Algo chave para uma recolocação é você conseguir metrificar seu desempenho. Mostrar o que você conseguiu fazer no seu último cargo. Quanto entregou. E quanto a sua presença impactou positivamente. Infelizmente, há um discurso horrível e fora da realidade que culpabiliza a vítima do layoff. Não caia nessa e monte seu case de sucesso.
5. Estude fontes alternativas de renda
Até que o pior passe, não tenha medo de trabalho. Aceite o que vier e depois faça um malabarismo de preços para chegar no justo à medida que a agenda ficar cheia. Não é hora de “escolher demais”, e até que a sua segurança financeira e a dos seus esteja mais garantida, não adianta ser criterioso.
Lembre-se: em uma barganha, quem tem mais poder é quem tem mais condição de dizer “não”.
Resumo: layoff é má gestão, não trabalho ruim
Muito dificilmente a vítima de um layoff foi por trabalho ruim. O movimento é “indiscriminado” (embora estatísticas mostrem que mulheres saem mais do que homens, mesmo em empresas mais masculinas) e acomete a força de trabalho na totalidade para gerar economia.
Casos recentes exemplificam a má gestão, que cresceu despreocupada com o depois e naturalizou contratar e demitir em intervalos curtos de tempo. Há toda uma série de teorias da administração, e para essas vale a pena ler o novo República MercadoLibre (apenas em Espanhol) de Julián Zícari.
O livro traz em pauta como gestores oriundos do mercado financeiro tendem a ver tudo como “bens” que geram lucro, e não como empresas fornecedoras de soluções para uma sociedade.